Tablets, Newton, etc
Há uns dois anos, comprei meu primeiro Newton MessagePad. Era o modelo 130, com NewtonOS 2.0. Mesmo sendo uma máquina lenta, com um display de resolução limitada, fiquei maravilhado com a facilidade de uso e coerência da interface. Pouco tempo depois, fiz upgrade para um MP2000, com hardware mais rápido, maior capacidade de armazenamento, e NewtonOS 2.1.
Eu o usei alguns semestres na faculdade, substituindo cadernos e fichários (pesadelos para quem é canhoto). A facilidade de organização, a junção de várias funcionalidades e, principalmente, o tamanho avantajado da tela, proporcionaram um conforto que dispositivos mais novos estavam longe de conseguir fornecer.
Com o lançamento dos UMPC, pensei que, finalmente, poderia ter um dispositivo novo, com conectividade WiFi sem a necessidade de drivers ruins (sem ao menos WEP ou busca de access points [é necessário saber o ESSID de cor, blargh!]), BlueTooth, mídias de armazenamento com capacidade decente (o maior cartão de memória que possuo para o Newton tem 16MB) e por último, mas não menos importante: possibilidade de acessar sites Web sem ter que esperar alguns minutos para que a página fosse carregada.
Veja bem: eu não ligo para tela colorida num dispositivo deste tipo. É uma funcionalidade interessante, mas dispensável, se isso significar em aumento considerável de vida de carga da bateria (um Newton pode durar semanas com pilhas alcalinas compradas na padaria da esquina).
Infelizmente a interface com o usuário para ambientes desktop (onde há sempre a presença de um teclado e um mouse) não escala bem para dispositivos deste tipo. E foi o que a Microsoft fez: colocou um Windows XP comum, de desktop (com alguns add-ons, como teclados virtuais, reconhecimento de escrita, dentre outras coisas), numa máquina dessas. Ou seja: destruíram completamente um produto — ou linha de produtos — que tinha tudo para vencer no mercado.
A Nokia lançou há um bom tempo os Internet Tablets. Com a vinda da empresa para o Brasil, e com o INdT, não é incomum encontrar amigos brasileiros com uma máquina dessas em mãos. Infelizmente o preço é tão caro quanto um Newton custava em 1998: aqui no Brasil custam quase R$2000, o preço de um notebook razoavelmente bem equipado, com nota fiscal e tudo mais. Mas, deixando o fator preço de lado (afinal, ele tende a despencar, veja o preço de laptop), eu não compraria uma tablet dessas para usar com a interface padrão.
O Maemo, embora desenvolvido para dispositivos móveis, não possui o mesmo charme nem as funcionalidades de um NewtonOS. Não adianta querer copiar apenas vendo screenshots ou lendo as User Interface Guidelines do Newton. É preciso usar os dois para realmente perceber a diferença. Não digo que o NOS seja perfeito: mas é a interface para um PDA mais bem pensada que eu já usei (e olha que sou um gadget freak, brinquei e usei vários PDAs, dos Palm ao WinCE, dos Epoc ao Symbian, do NewtonOS ao… uh?).
Faltam, em minha singela opinião:
- Integração com os programas. Por exemplo, se eu adiciono uma pessoa em minha agenda de contatos, e preencho a data de aniversário dela, o Newton me avisa disso. Mas quem me avisa, de verdade, é a agenda do PDA, pois ela vasculha o banco da agenda de contatos: o formato é único e disponível para todos os programas.
- Interface gestual. Difícil explicar. Mas é possível apagar coisas apenas rabiscando sobre elas, copiar para a área de transferência apenas arrastando-as para os cantos da tela. É possível até escrever com seu garrancho-padrão-de-computeiro e ver a máquina reconhecendo aquilo como letras.
- Assistência. Escreva “Almoço com Silva depois de amanhã” e aperte um botão. A agenda aparece, criando um novo compromisso amanhã ao meio dia e dizendo que “João da Silva” estará presente. Escreva “Comprar pão e leite todas as manhãs”. Aperte o botão. Imagine o que isso faz. Pois é, dá para fazer isso no NewtonOS.
- Reorientação da tela. Prefiro ler um livro na vertical, mas às vezes posso querer ver uma foto de uma paisagem, na horizontal. Não quero ter que ficar apertando botões para isso. O iPhone faz algo similar. O NewtonOS também, embora precise apertar botões.
- Facilidade para enviar as informações. Quaisquer que sejam. No Newton, basta apertar o botão de roteamento, que um menu aparece e permite escolher algumas opções (enviar por fax, infra-vermelho, mandar por email, imprimir, etc). Hoje em dia eu tiraria fax e infra-vermelho, e colocaria BlueTooth. Mas a idéia é a mesma: sempre no mesmo lugar, do mesmo jeito, fazer a mesma coisa. Independente do aplicativo.
- A não necessidade de apertar “Save”. No Newton, não há o conceito de arquivos (e o negócio todo de “abrir”, “salvar”, etc). Você simplesmente edita o que quer e pronto, já está salvo (e o Undo é global: está sempre disponível para desfazer quaisquer ações que o usuário possa fazer). Pode até retirar as baterias que não vai perder nada (tente fazer isso com um Palm da velha guarda).
- Scripting. O NewtonScript é uma linguagem bem fácil de programar. Pascalóide e orientada a objetos, permite alterar e referenciar qualquer objeto de qualquer programa no sistema. Com proteção de memória isso fica difícil de fazer, mas DBus existe, por exemplo, e muita coisa é possível “emular” com ele.
Por favor me acordem no dia que um PDA (ou um dispositivo similar ao Newton MessagePad) apareça, e que tenha pelo menos essas características que eu notei. Ah, sim, e se seguir algumas idéias (pelo menos as principais, claro), das diretrizes de interface com o usuário do NewtonOS, podem me sacudir se demorar para acordar…












May 26th, 2007 at 8:54 am
acid,
fico triste por você ter caído no mesmo erro de praticamente todos os resenhistas do 770/N800, que é achar que deveriam ser PDAs - conceito, aliás, morto.
O Maemo não é um PDA, não deve ser um PDA, é melhor que não seja um PDA, até porque a interface do Maemo é HORROROSA para ser colocada num telefone.
Deixemos os PIMs com os telefones, por favor.
June 1st, 2007 at 9:07 pm
Eu to doido pra por as maos sujas num desses. Deve ser LUXO!